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Verdade Verificada > Blog > Internacionais > A bebê iraniana que sobreviveu a ataque de Israel que matou sua família – e virou símbolo no Irã
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A bebê iraniana que sobreviveu a ataque de Israel que matou sua família – e virou símbolo no Irã

Fotos de Helma, que sobreviveu a um ataque aéreo no Irã que matou seus pais e dois irmãos, passaram a ser usadas em outdoors e cartazes pelo país

Redação
Ultima atualização: 2026/04/08 at 3:52 PM
Por Redação
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Helma foi levada ao hospital para observação após ser retirada dos escombros da casa de sua família Foto: Fars / BBC News Brasil
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Sob a luz fraca de um edifício destruído em Tabriz, no Irã, equipes de resgate avançam entre concreto quebrado e metal retorcido. De repente, um pequeno corpo é encontrado.

Helma, de apenas 1 ano e meio, é retirada dos escombros.

“Eu vou tirar você daí, minha querida”, diz um dos socorristas, em voz baixa.

Momentos depois, ela é levada para fora, ainda viva.

Helma estava dormindo quando um ataque aéreo atingiu sua casa nessa cidade no norte do Irã.

Ainda de pijama, ela ficou soterrada sob os destroços do apartamento da família, no décimo andar.

Quando os socorristas a encontraram, ela era a única sobrevivente. Seus pais, o irmão e a irmã — toda a família próxima — morreram.

Em entrevista ao lado de seu leito no hospital, um primo dela disse: “Ela tinha uma irmã mais velha e um irmão. Todos morreram, e só Helma sobreviveu. Que pecado eles cometeram?”

Helma foi retirada dos escombros do apartamento da família com poucos ferimentos
Helma foi retirada dos escombros do apartamento da família com poucos ferimentosFoto: Red Crescent / BBC News Brasil

Imagens do seu resgate se espalharam rapidamente pela mídia iraniana, enquanto uma foto dela no hospital, com asas de anjo adicionadas, foi exibida em outdoors nas ruas.

Com a censura imposta pelo governo iraniano e os cortes de internet limitando a circulação de informações que chegam do Irã, a cobertura do caso de Helma oferece um raro vislumbre das consequências dos ataques aéreos feitos pelos Estados Unidos e por Israel que atingem o Irã.

A mídia estatal iraniana tem usado o episódio para destacar o que descreve como agressão “americano-sionista”, colocando a sobrevivência — e a perda — de Helma no centro dessa narrativa.

No funeral de sua família, pessoas ouvidas pela agência semioficial Fars News expressaram tristeza e desafio.

“Agora, todas nós somos a mãe de Helma”, disse uma mulher. Desde então, a menina passou a ser descrita por alguns como “uma filha do Irã”.

Helma foi a única sobrevivente de sua família mais próxima após o ataque
Helma foi a única sobrevivente de sua família mais próxima após o ataqueFoto: Fars / BBC News Brasil

Pai como alvo

Mas há mais em sua história do que foi divulgado no Irã.

O pai de Helma, Hamid Mirzadeh, teria ligação com as Forças Armadas do país.

Imagens de seu túmulo parecem identificá-lo como coronel do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Alma, um think tank (centro de pesquisa e debates) israelense, afirmou que Mirzadeh atuava como comandante das forças de mísseis do Irã.

O caso de Helma deu um rosto humano ao debate sobre a condução da guerra e as estratégias adotadas por ambos os lados.

EUA e Israel afirmam que têm como alvo militares, e não civis. Segundo o direito internacional humanitário, todas as partes em conflito devem distinguir entre alvos civis e objetivos militares.

A legislação também determina que se evite, na medida do possível, instalar alvos militares dentro ou nas proximidades de áreas densamente povoadas.

Mas, com as instalações militares frequentemente inseridas em áreas civis — e os comandantes vivendo com suas famílias —, um número significativo de civis acaba exposto diretamente aos combates.

O governo iraniano não tem atualizado os números de vítimas.

Já a Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos EUA, estima que mais de 3,5 mil pessoas tenham sido mortas no Irã desde o início da guerra — entre elas, cerca de 1,6 mil civis e pelo menos 244 crianças.

A Força Aérea de Israel afirma ter matado mais de 2 mil militares e comandantes do regime e diz ter realizado mais de 10 mil ataques aéreos desde o início do conflito.

Os EUA afirmam ter realizado um número semelhante de missões.

Tributos deixados após o funeral da família indicam que o pai de Helma era membro do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã
Tributos deixados após o funeral da família indicam que o pai de Helma era membro do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do IrãFoto: Tabnak / BBC News Brasil

Neste caso, tudo indica que o alvo era o pai de Helma.

O míssil atingiu com precisão, acertando diretamente o apartamento da família.

Um segurança disse a uma emissora local que, “por volta das 3h20, ocorreu uma grande explosão”.

Além da família de Helma, outras duas pessoas ficaram feridas.

“Tudo virou um caos”, afirmou um morador.

Em comunicado à BBC, as Forças de Defesa de Israel disseram ter “atingido um alvo militar do regime terrorista iraniano em Tabriz”.

O comunicado acrescenta: “As Forças de Defesa de Israel realizam ataques de acordo com o direito internacional e adotam todas as medidas viáveis para reduzir danos a civis e à infraestrutura civil que possam ser afetados pela ação”.

Fotografias de Helma foram exibidas em cartazes ao lado de ruas movimentadas em Tabriz
Fotografias de Helma foram exibidas em cartazes ao lado de ruas movimentadas em TabrizFoto: Fars / BBC News Brasil

A morte de Mirzadeh, pai de Helma, representa um golpe para as Forças Armadas iranianas, mas, segundo veículos ligados ao Estado, também reforçou a determinação de parte da população na cidade onde Helma vivia.

“Aos nossos inimigos, eu digo o seguinte”, afirmou uma mulher à agência Fars News, durante o funeral da família. “Com essas mortes e as ações que estão tomando agora, eles só nos tornam mais fortes.”

“Não vamos permitir que tirem nossa terra”, disse outro homem. “Eu mesmo irei com um fuzil para [defender] a ilha de Kharg”, acrescentou, se referindo ao principal terminal de exportação de petróleo do Irã, que o presidente Donald Trump já sugeriu tentar tomar.

Fisicamente, pelo menos, Helma parece ter se recuperado do trauma. Imagens dela com familiares mostram ela correndo e brincando com brinquedos. Mas a dimensão de sua perda é enorme.

Não é a primeira vez que familiares de integrantes das autoridades iranianas morrem em ataques desse tipo.

Guerras são enfrentadas por soldados. Mas, como mostra o caso de Helma, são frequentemente civis — especialmente crianças — que pagam o preço.

*A BBC News Persa é o serviço de notícias da BBC em língua persa, utilizado por 24 milhões de pessoas ao redor do mundo — a maioria no Irã — apesar de ser bloqueado e rotineiramente alvo de interferência pelas autoridades iranianas

Fonte: BBC

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