Minas Gerais tem 82.355 motoristas circulando com o exame toxicológico obrigatório vencido.
O volume de irregularidades coloca o estado na terceira posição do ranking nacional, ficando atrás apenas de São Paulo, que lidera com cerca de 350 mil condutores pendentes, e do Paraná, com aproximadamente 93 mil. Os dados são da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
O cenário mineiro reflete uma tendência observada em todo o país. Mais de 1,1 milhão de motoristas profissionais brasileiros estão com o teste fora da validade, o que representa um desafio para a segurança viária e a fiscalização nas rodovias.
De acordo com Alysson Coimbra, diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), o alto índice de inadimplência com o exame indica um comportamento que pode estar diretamente ligado à dependência química.
Para o especialista, o uso de substâncias psicoativas muitas vezes surge como uma resposta a condições adversas de trabalho.
“Muitos profissionais passam a utilizar substâncias psicoativas tentando superar algo que é impossível de vencer: a necessidade de descansar”, afirma Coimbra.
O diretor aponta que jornadas exaustivas e a privação intencional do sono criam um ambiente de fragilidade emocional.
Nesse contexto, condutores buscam nas drogas uma “falsa promessa” de aumento de rendimento.
“Em geral, esse ciclo começa com anfetaminas e pode evoluir para combinações cada vez mais complexas de substâncias psicoativas”, aponta Alysson.








