Pequim foi palco, no dia 30 de março de 2026, da inauguração da Organização Mundial de Dados (WDO, na sigla em inglês), iniciativa internacional dedicada a criar normas globais de governança de dados, fortalecer a cooperação digital no Sul Global e impulsionar o desenvolvimento digital.
O evento reuniu cerca de 500 participantes, entre representantes de governos, empresas, universidades e organizações internacionais de mais de 40 países.
A WDO surge como um organismo profissional, não governamental e sem fins lucrativos, com sede em Pequim, com o objetivo de reduzir desigualdades no acesso a dados, transformar informações em valor econômico e incentivar a cooperação global.
Segundo Tan Tieniu, presidente da organização, “o digital é uma oportunidade sem precedentes.
Dados podem impulsionar inovação, política e ciência, mas apenas se o acesso for equitativo e houver capacitação onde for mais necessário”.
Quebrar barreiras e construir ecossistemas
Durante a primeira assembleia geral, os participantes aprovaram o estatuto da WDO e elegeram o primeiro conselho e o conselho fiscal da entidade. Em reunião inaugural, a liderança da organização definiu sistemas internos e regulamentos fundamentais.
A WDO representa o primeiro organismo internacional profissional voltado para governança e desenvolvimento de dados, funcionando como uma plataforma de diálogo, normatização e cooperação internacional.
“Hoje, as economias globais ainda enfrentam recuperação lenta. Confiar apenas em comércio e investimento tradicional mostra retornos marginais decrescentes
O digital, por outro lado, está em plena expansão, e a explosão de inteligência artificial é guiada por dados. Precisamos de uma plataforma global para enfrentar esses desafios”, destacou Tan Tieniu.
Um dos pilares da WDO é “quebrar barreiras”, harmonizando políticas de dados e reduzindo custos de conformidade para empresas multinacionais.
Outro foco é “construir ecossistemas”, aplicando dados em setores como saúde, educação e energia, promovendo inovação industrial e fortalecendo o desenvolvimento de talentos, especialmente em países do Sul Global.
Segundo Zhao Houlin, ex-secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), a plataforma oferece oportunidades únicas de formação de profissionais globais em comunicação e dados, permitindo que eles aprendam com experiências de países como a China e apliquem o conhecimento em suas nações de origem.
Muhammadou M.O. Kah, presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), reforçou: “Dados podem impulsionar inovação e acelerar progresso científico, mas apenas se o acesso for justo e houver capacitação onde for mais necessário”.
Promover fluxo seguro de dados entre nações
O lançamento contou com representantes de mais de 200 organizações, incluindo empresas, universidades, think tanks e instituições financeiras, distribuídos em 14 setores como indústria, saúde, transporte, energia, comércio eletrônico e agricultura. Jack Perry, presidente do 48 Group, destacou: “Dados na nuvem podem criar grandes fronteiras. Precisamos trabalhar juntos para superar esses desafios”.
Autoridades chinesas ressaltaram que a iniciativa reforça a posição do país no cenário digital global, permitindo estabelecer padrões internacionais e promover o fluxo seguro de dados entre nações. Jonathan Gerald Thomason, da Qualcomm, afirmou: “Fazer parte de um sistema seguro e baseado em regras para dados é fundamental. A criação da WDO é um passo importante nesse sentido”.
A expectativa da WDO é se tornar, até 2030, uma plataforma internacional de referência, com reconhecimento global, promovendo governança de dados, inovação tecnológica e inclusão digital em escala mundial.
Fonte: Brasil de Fato








