O BRICS avança na desdolarização com Rússia e China realizando 99,1% do comércio em rublos e yuans, Brasil movimentando 100 bilhões de dólares por ano com a China em moeda local e o bloco desenvolvendo a Unidade BRICS, ferramenta digital em blockchain que evita o sistema SWIFT.
O dólar ainda responde por 90% das transações cambiais globais, mas sua participação nas reservas mundiais caiu de 70% para 59% em duas décadas.
O BRICS está no centro dessa mudança: Rússia e China já realizam 99,1% de suas transações comerciais em rublos e yuans, sem passar pelo dólar americano. O Brasil e a China mantêm acordo semelhante que movimenta cerca de 100 bilhões de dólares por ano em moeda local desde 2023.
O que parecia uma tendência distante se tornou realidade mensurável, e o BRICS está construindo a infraestrutura para que essa prática se espalhe entre todos os membros do bloco.
O próximo passo é ainda mais ambicioso. Conforme o Senado, o BRICS propôs a criação da Unidade BRICS, um instrumento digital baseado em blockchain que funciona como ferramenta de liquidação para transações transfronteiriças entre os membros, evitando completamente o sistema SWIFT controlado pelo Ocidente. Embora ainda seja um protótipo, a ferramenta é vista como uma forma de limitar a exposição dos países do bloco às sanções dos Estados Unidos.
O presidente Lula, em entrevista ao India Today TV, negou a criação de uma moeda única para o BRICS, mas destacou que a infraestrutura para a desdolarização está em crescimento acelerado.
O que os números revelam sobre a desdolarização dentro do BRICS

Os dados são difíceis de ignorar. Rússia e China passaram de uma relação comercial denominada em dólares para 99,1% das transações em moedas próprias, um patamar que há dez anos pareceria impossível para duas das maiores economias do mundo.
O rublo e o yuan substituíram o dólar quase por completo nas trocas entre os dois países, criando um precedente que outros membros do BRICS observam com atenção.
O acordo entre Brasil e China segue a mesma lógica e já movimenta cerca de 100 bilhões de dólares por ano em moeda local desde 2023. Esses números mostram que a desdolarização dentro do BRICS não é um discurso político ou uma declaração de intenções.
É uma prática comercial consolidada que envolve volumes bilionários e que reduz a dependência de cada país em relação ao sistema financeiro americano. Para o BRICS, cada transação que dispensa o dólar é um tijolo a menos na estrutura que sustenta a hegemonia da moeda americana.
O que é a Unidade BRICS e como ela funciona em blockchain

A Unidade BRICS é um instrumento digital projetado para facilitar pagamentos entre os países do bloco sem passar pelo sistema SWIFT.
Baseada em tecnologia blockchain, a ferramenta funciona como mecanismo de liquidação para transações transfronteiriças, permitindo que exportadores e importadores de diferentes países do BRICS realizem negócios usando suas moedas locais com um sistema de compensação próprio.
A vantagem do blockchain para o BRICS é a descentralização: nenhum país ou instituição controla a rede de forma unilateral, o que reduz o risco de que transações sejam bloqueadas por sanções ou decisões políticas externas.
O sistema SWIFT, usado pela maioria das transações internacionais hoje, é controlado por uma cooperativa com sede na Bélgica e pode ser influenciado por pressões ocidentais, como ficou evidente quando bancos russos foram desconectados da plataforma. A Unidade BRICS surge como alternativa que elimina essa vulnerabilidade.
Por que Lula negou a moeda única mas apoia a infraestrutura de pagamentos do BRICS
A distinção é importante. Em entrevista exclusiva ao India Today TV, Lula afirmou que não há proposta ou debate sobre uma moeda comum dentro do BRICS.
O presidente brasileiro foi claro: o objetivo não é criar uma moeda que substitua o real, o yuan ou o rublo, mas sim oferecer mais opções de moeda para acordos bilaterais entre os membros do bloco. A desdolarização do BRICS avança por caminhos práticos, não por uma revolução monetária de uma só vez.
A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, Dilma Rousseff, reforçou essa posição ao declarar que as operações em moeda local são prioridade para construir um sistema financeiro internacional mais equilibrado.
Ela enfatizou que o papel do dólar como moeda de reserva global não terminará de forma abrupta, mas que a expansão do comércio em moedas locais é um processo inegável e irreversível. O BRICS não quer derrubar o dólar. Quer reduzir a dependência que torna os países do bloco vulneráveis a decisões tomadas em Washington.
A resistência da Índia e os limites da desdolarização no BRICS
Nem todos os membros do BRICS caminham na mesma velocidade. O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, destacou que o dólar fornece estabilidade econômica mundial e que mais estabilidade, não menos, é o que o mundo precisa.
O ministro do Comércio indiano, Piyush Goyal, foi ainda mais direto ao afirmar que é impossível pensar em uma moeda do BRICS compartilhada com a China.
A posição indiana revela as tensões internas do BRICS sobre até onde a desdolarização deve ir. A Índia mantém relações estratégicas tanto com os Estados Unidos quanto com a Rússia e a China, e não tem interesse em antagonizar Washington ao ponto de provocar retaliações econômicas.
Para o BRICS funcionar como bloco coeso na questão financeira, será necessário encontrar um equilíbrio entre os membros que querem acelerar a saída do dólar e aqueles que preferem uma transição gradual e cautelosa.
O que a desdolarização do BRICS significa para empresas e consumidores
Para exportadores, importadores e qualquer empresa exposta ao câmbio, a expansão das transações em moedas locais dentro do BRICS pode trazer benefícios concretos.
Um sistema onde rublo, yuan e real ganhem mais espaço pode oferecer mais previsibilidade cambial e reduzir custos de transação que hoje são inflados pela necessidade de converter moedas locais em dólar antes de realizar operações internacionais.
A infraestrutura para a desdolarização está se consolidando no BRICS, mesmo que uma moeda única não esteja nos planos imediatos.
A Unidade BRICS em blockchain, os acordos bilaterais em moeda local e o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento são peças de um quebra-cabeça que, montadas juntas, reduzem progressivamente o peso do dólar nas transações entre os maiores mercados emergentes do mundo. A mudança é lenta, mas os números mostram que ela está acontecendo.
O que você acha da estratégia do BRICS de abandonar o dólar nas transações entre os membros? Acredita que a Unidade BRICS em blockchain pode funcionar ou que o dólar vai continuar dominando? Conta nos comentários. Esse debate sobre o futuro do dinheiro global afeta o preço de tudo, do combustível ao alimento que chega à sua mesa.








